quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Escudo.

Há uma certa rebeldia em meu modo de ver as coisas, ou de sentir. É um gosto meio seco, um gosto amargo de não poder falar tudo o que se deseja. Meu país livre, não me permite isso, e nem minha educação. É verdade que as vezes minto, mas sinto que é a única saída. Não quero de forma alguma que saibam que nem todos os meus dias são felizes, são falsos. Não, não ou infeliz, apenas não sou feliz sempre e não quero que saibam, e não vão saber. Não quero e não permitirei, que saibam das minhas dores, de toda melancolia e tristeza que ás vezes toma conta de mim. Eu não sou feliz sempre e isso me mata, na verdade, devo ser feliz sempre, só não alegre o tempo inteiro. Não deixarei saberem, não quero que saibam, e que sintam tudo o que eu sinto, não por bondade, mas por egoismo justamente, abomino remorso, pena, dó. Há quem sabe pouco sobre, bem pouco, aquelas pessoas com quem me poupo para uma conversa, um desabafo, uma história ou outra, nada demais. É preciso mais, agora percebo, que olhando pra essa luz opaca, dá para ver ao menos, que é preciso mais, mais e mais, para que não descubram nossos pontos fracos. É uma realidade morna, crua e sem razão, a não ser a razão das coisas não serem como a gente quer ou planeja. O fato é que preciso seguir adiante, ser melhor, tentar. Outras vezes, outros dias, outros sonhos, algumas chances. Não, ninguem precisa saber da minha tristeza, das minhas dores, de quantas vezes estive no chão; não mostro a ninguem se choro, se sofro, se morro vivendo. Mostro não sofrer, não chorar. Deus existe, e nos dá os porques, e todas as explicações, não teria que lhe indagar o porque de tudo isso. Eu cresci, eu aprendi, hoje não peço, agradeço. Hoje não necessito de ser amado, amo. Hoje não choro, sorrio. Ajudo, perdoô, abrigo, abraço, beijo... Sou o melhor que posso ser a mim, e aos outros, cortando todo o mal, toda dor, todo pecado. Cortando e jogando para fora o que não fará bem a mim e aos outros. Meu egoismo não saí de mim. Minha vida não sai de mim. Sou tão boa comigo, que me deixo ser feliz, boa com os outros que não me deixo chorar. A vida que me faz cair, me ensina a levantar. Amanha é mais um dia, um espelho de hoje, refletido ao contrário, algumas horas passadas, de um dia que não volta mais, e uma época que eu espero passar, e não voltar a viver, pra poder mostrar aos outros toda alegria verdadeira, que não transparece em meu olhar, que esconde um medo, uma dor, uma vida. É um escudo, uma certa magia, um casulo, que faço em volta de mim, para proteger, a mim e aos outros. Não quero que sentem o que eu sinto, que saibam o que vivo, minhas coisas são minhas coisas, não quero pena, nem dó. Não quero. Basta. Não quero olhares, algumas palavras... Olhos choram e palavras mentem. Há flores sem espinhos, mas não são belas quanto as que possuem. Eu digo, e digo a verdade, a verdade é que minto, que sinto que estranhamente, sou cheia de um vazio, que possui uma inteira alegria em viver, em estar, e amar (mesmo com tudo, tudo, tudo...)
" - E aí tudo bem?
- Claro, sempre bem!"
Não é preciso mais que isso, não prolongue minha dor. Não entenda minha dor. Não queira cura-la. Não se muda uma vida, um momento, sem porquê. Eu preciso entender, o que se passa em mim. Preciso enfrentar todo mal que esta vindo e há de vir, e ninguém vai saber. Meu casulo fechou.