quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pra que?

Pra que a distância? Pra que a saudade?
Pra que um mundo, distante, que é nosso, se não podemos alcançar?
Pra que uma vida perfeita? Se uma vida perfeita não dura mais que nós?
Pra que dinheiro, se dinheiro não apaga dias ruins e não nos dá o que se tem mais valor?
Pra que a distância? Pra que a saudade?
Porque se encontra tão longe, aquilo que nos faz tão bem? Porque não se encontra mesmo longe, aquilo que possa nos trazer o bem?
Porque pedir paz, porque dizer não? O mundo não é mais tão real. O mundo não é mais tão ruim. O mundo não é, o mundo. O mundo só é, preocupação, estudo, e sangue. O mundo é o que a gente fez dele.
Pra que distancia? Pra que saudade?
Pra que a vida, se a vida não pode ser vivida como a gente quer? Pra que liberdade se estamos presos dentro de leis? Pra que leis se queremos liberdade? Pra que, porque?
Porque é que não se facilita as coisas? Porque é que a vida complica, acaba e doí?
Porque é que viver é tão instenso, tão bonito, tão verdadeiro, apesar de tudo? Porque a vida não tem preço? Porque a vida...
Pra que isso? Pra que aquilo? Porque a Para que de todos os males? - Cabe a Deus e não a mim.
Pra que distancia? Pra que saudade?
Pra que mentira? Pra que inveja? Pra que armas? Pra que bombas?
A saudade sufoca, a rotina acomoda, e a monotonia irrita. A saudade doí, corroí, machuca. A distancia impede encontro, reencontros, abraços, beijos e sorriso... A distancia impede que vidas se cruzem, se conheçam, se amem....
A distancia existe, para que existam os sonhos. E a saudade existe, para que se possa recordar...

Vida.

A vida é mesmo tão engraçada. Um segundo, uma vida, um mundo - e derrepente mais nada!
A vida é mesmo uma serpente. Um momento feliz, um abraço - uma pessoa descontente!
A vida é mesmo uma graça. Um dia, um passeio, um descuido - uma desgraça.
A vida é mesmo um nada - uma pessoa, três anos - fim.
A vida é mesmo seca. A vida é mesmo pequena. A vida é mesmo um risco. A vida é realmente tudo e simplismente nada.

A vida é mesmo vida! É uma completa e vazia vida, cheia. A vida é mesmo vida, enquanto se esta vivo nela. E a vida não deixa de ser vida, nunca, enquanto de algum modo é vivida. Vida, paga o preço de uma vida.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Ah, o amor...

E o amor que vem dos outros sempre tem que ser menor do que o que a gente dá. O amor é uma necessidade, que as pessoas tratam como urgência. Mas não há urgência no amor, há urgência em ser amado, e isso é errado! O amor, não pode ser cobrado do outro, mas de nós mesmo, quem somos nós sem o amor? O amor traz alegria, felicidade...
O amor que deixa besta, bobo, não é amor, é paixão! E a paixão passa, o amor não.
O amor, é o sentimento, de afinidade, de confiança, é do amor que vem a saudade, é do amor que vem todos os frutos bons que se colhe durante sua vida.
O amor é o mais fundamental dos sentimentos, o mais necessário.
Só possuindo amor, é que se pode ser feliz. Só amando a vida, as pessoas, as coisas, a Deus, e se doar; porque o amor, vale a pena! O amor tem valor, e nós temos valor diante o amor.
Ele é indispensável, fundamental. É o mais bonito e verdadeiro dos sentimentos!
Tudo tem mais sentindo com o amor, quando se ama as pessoas, ama a vida, ama o que faz, ama tudo a sua volta, a vida fica colorida, se amando, você fica mais bonita!
O amor, não se pode explicar, não dá pra entender, o amor sente, vive, conhece, descobre, aceita. O amor é capaz de transformar, o amor é capaz de mudanças que seriam impossível, o amor, é capaz de tudo. Grandes filósofos, grandes pessoas, grandes mentes, revolucionários, descobridores, inventores... são pessoas apaixonadas, são pessoas que amam imensamente, intensamente!
As pessoas mais brilhantes amam, sem precisar serem amadas. E amar e não ser amado não doí, preenche. Amar e não ser amado não dói, ensina. Amar, é o mais importante dos sentimentos...
E o amor, o que será este mundo, quando acabar o amor? O amor não se acaba jamais.



"E o amor como regra, não como exceção!" - Leve isso com você. O amor, vale a pena! :)

domingo, 1 de junho de 2008

Renata!

Renata não se define, não se explica, as vezes não se entende, as vezes não se aceita, Renata é
diferente. Renata as vezes é alegria, outras não; parece ser todas as fases da vida em uma, parece ter a sabedoria da velhice, a conduta e postura certa na hora certa
como um adulto, possui a razão e a falta de comprometimento da adolescência, e a doçura de uma criança.
Renata não se resume, não se soma, as vezes se dividi. Possui o que chamo de encanto, nem sempre o desencanto, aprende, ensina, fala, conversa, canta e ri. Exagera em seus porquês, em suas teses, exagera em amores, amigas... Tem o poder de encantar, cativar, amar anonimamente. Não é o que chamados de personalidade calma e tranquila, é uma metamorfose, é uma inconstante e quase sempre tem razão (pelo menos é assim que gosta de pensar).
Renata possui um dom, dom da amizade, dom da presença, de confortar, de fazer sorrir, de ajudar. Pode ser daquelas amigas de anos e anos sem uma briga se quer, e também pode ser que seja sua amizade mais tumultuada e ainda sim, a maior delas. Tem a alegria de um pássaro, pa
rece uma borboleta a voar entre campos serenos e verdes. O piscar dos olhos, o sorriso (e que sorriso), a covinha no queixo, e seus movimentos curtos e rápidos, o jeito como mexe no cabelo, querendo desvendar os mistérios do mundo, o modo como coloca os brincos, prova a roupa, e se olha no espelho; sabe que é única, que é linda.
Renata é precipitada, mas sempre sabe a hora de parar, possui uma alto-estima, uma alto-confiança enorme, passa segurança, e sabe de coisas, quem muitos cinquenta anos mais velhos, não sabem. É segura de si, do seu destino, da sua presença. Sabe distinguir amigos, amores, a vida. Sabe dar cor e razão a tudo, sempre encontra uma explicação, nunca tem medo do que pode acontecer; pois sabe: é abençoada! Essa bênção, ninguém tira.
Renata vive em sonhos e pensamentos, e nunca sabe se quer, que dia é hoje, e em
que mês estamos, tendo sempre a noção da hora exata.
Renata faz falta, pois sua companhia é agradável e sua amizade não é uma amizade comum, não se pode comparar, não se pode vender ou comprar; com aquele seu dom de encantar faz muitos amigos, e deixa os velhos com ciúmes, afinal, ninguém quer perder pequena renatinha.
Dá valor a família, a vida, aos amigos, ao Deus; e confia em intensidade diferente em ambos. Mas como eu disse, Renata não se explica... Vive de amor, quem a olha, não consegue decifra-la, mas se quer também consegue achar uma menina qualquer naquele pequeno corpo, e n
aquele olhar coberto de mistério, de verdades ocultas e de nenhum segredo. Contradições.
Nunca perde o bom-senso, mas quase sempre a paciência. Não sabe esperar. Se limita sempre ao acaso, e o baralho que tem na mão sempre há boas cartas. Nunca soube se acredita ou não na sorte, porque pra ela, tanto faz, ter sorte ou não é questão de momento. Não sabe esconder o que sente, quase sempre quando há algo a ser dito, ela diz; e se não diz faz questão de alguma forma, mesmo que a pessoa não saiba, de aquilo não fica só com ela. Nunca vai ser sozinha. Esta sempre rodeada, é querida, é amada. Inteligente, segura, ambiciosa, e aí, se não conseguir o que quer, bate o pé. Sonha altíssimo, mas com os pés no chão, cabeça no lugar, não decepciona e nem deixa a desejar. Brinca, irrita, imita, sorri, faz piadas, canta, joga, grita, dança, saí, se diverte, conhece, briga, chora, abraça, ri, beija... Sabe ser quem é, Renata, não se explica.
Posso ficar horas nessa subjetividade divina, dando-lhe adjetivos infinitos, mas jamais conseguirei lhe explicar: "Quem é Renata?". Renata não se explica, não se define, não se some, as veze
s se dividi.
Multiplica amigos, amores, sorrisos, e divide-os, fica apenas com o que lhe serve como 'bons'. Soma aprendizados, e os dividi para quem quiser. Não possui o que chamamos de egoísmo,
as vezes sim, mas não aquele doentio, é apenas o egoísmo saúdavel, aquele que se dá valor, ao que tem.
Tem qualidades demais, é perfeita demais, amigos demais, bonita demais... e por isso, atraí olhares de inveja, olhares...
Renata nunca se esquece, e delimita a lembrar. Passado pra ela é a ponte de aprendizados e de crescimento, mas não, de nenhuma forma há se quer um jeito, dela viver a sombra dele. Renata inova, muda, anda, desanda, as vezes se perde, mas sabe onde quer chegar.

Sim, definitivamente, não. Contradições. Renata não se pode explicar, o meu fracasso diante isso nada mais é do que a verdade: Renata não se explica. E não há quem pode faze-lo, nem ela mesmo. Sabendo ou não quem é, não se consegue explicar "O que é ser Renata?". Não se pode, não de deve explicar... Possui muitos mistérios, muitos segredos, charme... Todos contados a quem lhe ganhar confiança.
Renata é a definição de 'perfeição', tirando-lhe os defeitos, que ela no entanto, em s
ua maioria os reconhece, mas não aceita. "Ora Renata, para que tanto mistério no ar? Ora Renata, para que se esconder dentro de ti, tu que tão bela és..."
Renata... Renata... Me perco a meio fio tentando decifra-la, olhando em seus olhos,
a gente se sente fisgado, como um peixe qualquer que caiu na isca. Procure jamais olha-la aos olhos, se não quiser ser intrigado por uma vida. Não, eu não consigo entender, mesmo conhecendo cada pinta, cada história, seu perfume, seu numero de roupa, seu tipo de pele e cabelo, seus sonhos, seu passado, seus pontos fracos e fortes... Eu me aceito como o fracasso de não saber quem é Renata... Pronto, jamais saberei quem é Renata... Agora acho que não a conheço, se quer posso defini-la, eu que sempre fui tão boa em dar característica as coisas, e porque não em Renata? Porque Renata não se explica.. não de delimita.


(que vontade enorme agora, de ligar à ela, e pedir-lhe que venha me ver, para que eu possa abraça-la e matar toda saudade, relembra-la e assim quem sabe, decifra-la, explica-la...)

Outra pausa. Mais algumas palavras:
Dou muito valor a essa menina-mulher, que sabe o quer. Dou valor porque sei, que nela só há boas intenções, e um coração que vale por mil, dou valor porque é única e me ensinou muito, dou valor, porque amizade como de Renata não se encontra em qualquer esquina, a qualquer ano... Amizades como a de Renata, só mesmo Deus entregando-a, assim como o fez, e agradeço sempre por isso. Hoje Renata, faz parte das minhas orações, de meu painel de fotos, de minha saudade, dos meus pensamentos, das minhas melhores amigas, de boas risadas e lindas recordações. Que mesmo com o passar do tempo, o contorno de todas lembranças, permanecem vivas dentro de mim. Renata amiga, é de valor incalculável! Merecidamente, sim. Renata em meu blog, fotos, orkut; e na minha vida até quando Deus permitir, e que seja por muito mais tempo. Eu amo você Renata!

Mauro

Márcia varria a casa, distraia a cabeça, as crianças corriam de um lado para o outro sem parar. Mauro pôs-se a chorar, dos meninos era o que mais necessitava de carinho e atenção, sabe-se lá porque, também era o extremamente isolado das outras crianças. Mauro não entendia as brincadeiras, as brigas, os socos, os apelidos; Mauro parecia não pertencer aquela galáxia 'infância', Mauro parecia que ja havia nascido maior do que o normal, e com o passar do tempo se mostrou precoce e diferente.
Mauro, quando o conheci ainda era menino, cresci na sua rua, só o olhando, nada de proximidade, ele era fechado, ele era quieto, reservado. Cresci o observando, e nem sabia que ele fazia o mesmo, Mauro nasceu e cresceu apaixonado. Se sofreu ninguém sabe, ninguém viu. Mauro tinha alguém dentro dele, que não era ele, que não pertencia a ele, e foi assim, toda sua vida, até o ultimo instante. Mauro hoje, é lembrança, é quieto, e continua não pertencendo a essa galáxia! Mauro era apaixonado por sabe-se lá quem, e como; só era apaixonado, e essas paixões não cabe a nós explicar.

sábado, 17 de maio de 2008

Viver


Não basta ter nascido! Não basta estar vivo!
É preciso ser, é preciso viver.
É preciso amar, aprender, crescer...


É preciso viver!

domingo, 4 de maio de 2008

Liquidificador

Creio, que eu tenha feito de mim, uma personalidade fragmentada, estreita, sólida e estável. Creio, que eu tenha construído um bom caráter, não muito admirável (e nem deve ser), e muito menos um caráter a ser seguido, mas, o mantenho em pé, forte e protegido, com as minhas melhores qualidades, e seria, o que há de melhor em mim.
Não sou uma delicia de se conviver, mas, também, quem é que não tem suas fraquezas diante uma companhia, e esse é um ponto fraco meu. A verdade, é que as coisas tem que ser exatamente como eu quero, e se abro mão (quando abro), jogo isso na cara, o tempo todo. Não gosto de ser contrariada, e muito menos de se sentir ofendida por um pensamento oposto. Contraditória, inconstante me define, me disponho a mudanças todo o tempo, seja ela de cabelo, roupas, destino, ou ate mesmo de uma rotina. Não gosto de pessoas acomodadas. Que seguem tendências e que permanecem sempre as mesmas, por acharem que sua personalidade e seu estilo esta formado.
Gosto de pessoas com o pé no chão, mas que sonham alto, e buscam aquilo que desejam. Creio, que eu seja uma dessas pessoas, e esse meu egoísmo de gostar das pessoas por elas serem parecidas comigo.
Tenho também minhas vontades, tolas, e mesmo que inúteis, queria experimentar, e ver qual a graça e o prazer (que não vejo algum), e ter a capacidade (simples capacidade), ou uma inútil habilidade que nunca tive: de jogar, esses jogos que tanto vejo, e que exige a mínima noção de espaço (dentro de uma tela), de geografia, cumprir missões, raciocinar rapidamente, se manter vivo virtualmente - enquanto o verdadeiro eu, morre. Talvez isso exija tempo (para treinar, sei lá), e eu, não gosto de perde-lo, não por qualquer vontade, simples, mas tentadora, o fato de querer jogar um joguinho, que crianças jogam. Nunca fui uma criança, com grande potencial para essas coisas, mas sobrevivi, e posso dizer que nada me atrapalhou, as vezes me sentir uma completa inútil, ao ver meus primos e irmãos jogando. Gostava mesmo é de conversar (assim como hoje, por isso escrevo, porque sinto que converso, e pelo menos assim, guardo o que digo e penso), e o fazia, mesmo que, é claro, ninguém me dava ouvidos, já que estavam ocupados com seus jogos (hoje em dia, troca-se uma conversa, por qualquer jogo, que esteja totalmente fora da realidade). Então, aprendi a conversar com pessoas mais velhas, porque precisei, tinha que ter com quem conversar, aprendi a me comunicar, me expor, aprendi a ser transparente numa conversa.
Aprendi com o passar do tempo, com minha casa cheia de familiares, a gostar de barulho, de querer a presença, a casa cheia, os amigos, uma boa conversa, risos, gritaria, gargalhadas, música. Detesto o silêncio e a solidão, mesmo, achando que não os conheço.
O bom humor, a alegria, os risos intermináveis, se deve, ao fato, ao simples fato de ter medo, de me sentir com medo só de pensar na possibilidade de não ser feliz, medo de ser triste e infeliz, e por isso opto, pela constante alegria.
Estou quase indo deitar, pensando no meu dia, como todos os outros dias, felizes. Não há um dia, em que eu possa ir dormir triste, tendo uma família, uma vida, amigos tão maravilhosos.
Penso, que jamais vão poder me julgar de ingrata, porque isso não sou, não mesmo. E não me conformo com a idéia de que sejam, sendo que há pessoas que nada têm, e agradecem o fato de estarem viva.
Eu sou feliz. Fato. Com tudo o que existe a mim, e tudo que pertence a mim, mesmo achando que nada me pertence. Sou alegre, e bonita por dentro, nada mais que isso, não quero mais que isso.
Outra vida, outra casa, outra família, ser outra pessoa, nada disso me interessa. Me amo por inteiro, inclusive meus defeitos, que sabe-se lá o porque são chamados de defeitos. Me amo por inteiro, porque amo tudo aquilo, que faz de mim, o que sou.
A beleza não me pertence, e eu não a quero. Estereótipo não me satisfaz. O fato, é que ser eu mesma, me deixa bonita, me deixa me achando bonita. "Que me desculpem as feias, mais beleza é fundamental." não posso discordar, sendo essa beleza interior, porque beleza exterior pouco me importa, não me interessa sua magreza, sua pele de nenem, e seu cabelo lindo maravilhoso. Seguir regras nunca foi comigo, ainda mais essas, de moda. Seguir isso é o que realmente me irrita. Tudo bem, se sentir-se bem consigo mesma é estar vinte quilos abaixo do seu peso ideal, tudo bem que para isso tenha que enfiar agulhas, implantes, fazer cortes e ainda pagar por isso; sentir-se bem consigo mesma? Precisa disso? Não se pode simplesmente, aceitar-se como é? Isso é negar quem é, querer ser ou, um
que não é. Artificialmente as pessoas mudam, por fora elas mudam, não, eu não quero isso pra mim. Me aceito assim como sou pouco mais acima do peso, cabelo liso, unhas curtas e quebradas, espinhas, pouco peito, quadril maior do que o normal. E sabe de uma coisa, aceitar-se não é tão difícil.
Aceitar-se é aprender a conviver, primeiro com você, é respeitar, primeiro a você. Não se deve sofrer por estética. Mas, quem sou eu para julgar o gosto das pessoas? O que é bonito, o que é feio. Sou um ninguém. Acredito então, que façam isso para se sentir bem, ameniza essa irrelevância, essa barbaridade, só não sei, se realmente é preciso se dispor a tanto maltrato com o que lhe foi dado.
Aprendi acreditar nos valores das pessoas, a dar o melhor de mim, a mudar de assunto com frequência, admirar o por do sol, admirar o céu de todos os dias. Aprendi a ser amante de livros e fotografia, e a 'fazê-los'. Aprendi a dançar, até cantar em alguns tons certos. Aprendi a dividir o tempo, a respeitar o próximo, admirar as coisas diferentes. Aprendi a lidar com crianças, velhos, e opostos. Aprendi a ser solidária, a querer o bem, ser do bem. Aprendi a me divertir com pouco, quase nada, e com qualquer coisa. Aprendi a me auto-avaliar, e jamais avaliar as outras pessoas. Aprendi a Orar, conversar com Deus. Aprendi religião, literatura, e pouquíssimo de matemática. Aprendi a fazer o que não gostava, e com o costume passei a gostar. Aprendi dizer a verdade, e amenizar minha sinceridade, a falar com calma. Tudo que eu aprendi, foi vivendo, e tudo que eu aprendi eu não posso descrever, porque aprendi a respirar quando nasci, depois a beber leite, a dormir, a comer. Há infinitas coisas, que aprendemos, e que nem notamos, como o poder de escrever e que as letras tem, isso aprendemos, logo quando entramos na escola, e olha, o quanto evolui. Aprendi a descrever fatos, detalhes, pessoas, lugares. Hoje posso fazer uma biografia, posso escrever uma crônica, posso reclamar do mundo, posso colocar num lugar em branco, meus sonhos, pensamentos, desejos, angustias, minhas perguntas. Posso escrever, o que quiser, porque aprendi. Aprendi a escrever, e amar isso, essas palavras, esse mundo das letras, esse mundo da leitura, escrita. E é justamente nesse mundo, rico, que aprendi a escrever tudo, não querendo que nada seja revelado, mas contando absolutamente tudo, não querendo que nada mude, e colocando neles toda minha excitação por mudanças.
Me devo ao pensamento e aos fatos. Me devo aos meus sentimentos e a intimidade com as palavras, sem medo. Me devo a pensar demais, o dia todo, mesmo que, com a cabeça vazia, a vontade imensa de escrever, sobre, sobre qualquer coisa que me venha na cabeça. Sou um liquidificador. Esse, não era para ter chego aqui, mas chegou, como? Sabe-se lá como, mas, deve ser porque, sou um, e esse liquidificador ambulante. Liquidificador de palavras, assuntos e pensamentos. Por isso paro por aqui, porque se não, posso chegar em qualquer assunto que fuja totalmente de quem eu sou. Do qual era o propósito desde o começo, acho que disso eu não fugi. Porque costumo fugir, tanto em vida, como de foco. Costumo fugir de algumas responsabilidades, de algumas pessoas. Pronto, encerrarei.
Pode ser que eu mude, porque também acredito e aposto em mudanças, há muitas coisas em mim que eu gostaria de mudar, não sei, não sei por onde começar, sendo nova, acredito no poder do tempo e da transformação diária, quase, e mesmo que imperceptível, só se dando conta de que é possível mudar, evoluir, crescer, mesmo sem o saber, saber como ou porque, mesmo sem saber. O liquidificador, pode acrescentar. Sempre pode.



sexta-feira, 2 de maio de 2008

medo

Quem tem medo guarda segredos. Quem tem medo se esconde, assim como eu. Se esconde em segredos, se esconde dentro do medo, do mesmo medo que as vezes assombra, e esse mesmo medo que as vezes aguarda-nos para nos fazer fortes. Quem tem medo procura a solidão, ao contrário de mim, que me defendo, por entre amigos e beijos, me defendo entre os caminhos, os encontros e até nos desencontros. Assim como eu, que tenho medo, procuro me perder, procuro não me ser. As vezes o medo faz com que eu, nem seja eu. Faz com que eu fuja de mim e de meus riscos, que eu não corro, por medo. O medo me assusta, porque geralmente o tenho todos os dias, mas acima de tudo, tenho medo de não ter medo. Quem não tem medo, apenas existe, porque quem tem medo é quem vive de verdade. Os que possuem medo podem se descobrir, matar alguns medos, e ter outros, quem tem medo também tem vontade de não ter medos, e por isso vive para quebrar e superar seus medos. E quem não tem medos? Como é que vive alguem sem medos? Para mim, ter medo é viver algumas aventuras, ter medo é se esconder, se descobrir, se encontrar. Quem tem medos pode superar qualquer coisa, inclusive (e principalmente) seus medos. Quem tem medo, querendo os superar, testar sua capacidade de viver, além deles, de viver sem eles. Porque quem tem medo sente o frio na barriga, quem tem medo tem a ânsia, quem tem medo tem a vergonha, quem tem medo chora, quem tem medo cala, quem tem medo pensa e depois age, quem tem medo reflete, quem tem medo dá tempo ao tempo, quem tem medo esconde, quem tem medo as vezes pode evitar sofrer, quem tem medo corre, quem tem medo Ora, quem tem medo....
Porque ter medo, não é ser fraco, é ser humano. E quem os tem, são mais humanos, e ainda mesmo que não admitem, guardam segredo, e quem guarda segredo, tem medo.

Falta-me e sobra-me.

Sei, que tudo que me resta é aquilo que eu ainda não usei demais, porque o que se usa demais, falta. Hoje me falta amor, me falta carinho, me falta amigos. Sobra-me, hoje, alegria, um pouco de orgulho. Sobre-me também respeito, e uma parte de minha família. Falta-me com tudo, a burrice, e sobre-me vontade. Falta-me assunto, e sobre-me pensamentos. Sobra a mim, bem no fundo vida, mas falta-me ser. Sobre-me saber, e falta-me querer. Falta-me também lembranças e sobra-me presente! Sobra-me confiança e falta-me medo. Sobra-me e falta-me quantidades absurdas, de que eu nem sei. Falta-me tudo aquilo que muito consumi, e sobra-me aquilo que pouco usei. Falta-me, a mim mesma, eu. Sobra-me um pouco do resto, de quem eu era e não sou mais.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Vovó Cidinha.

Aquelas buxexas rosadas de blush, aquele batom rosa um pouco mais forte, puxado para o vermelho; o seu cabelo grisalho, sempre bem cuidado; suas unhas sempre bem feitas, esmaltadas toda a semana por uma velha conhecida, uma velha amiga.
Seus conjuntos de calça e blusa sempre combinado, e suas bolsas grandes estampadas. Seus sapatinhos sempre confortáveis e nunca de salto alto. Seu estilo elegante e único.
O contorno de minhas lembranças, ainda bem vivas, apesar de algum tempo sem ve-la. Minhas lembranças não deixa vazia todos os detalhes que ficava observando e admirando, e todo o tempo de convivência, me permite a isso, lembrar-me perfeitamente de seus olhos brilhantes.
Tenho um minha memórias os bons momentos, sua calma, sua risada contida, e suas mãos passando em meu cabelo sempre que passava por mim. Sua boa educação. Suas crenças, sua fé, sua carisma.
Nunca vou me esquecer, da Páscoa, do natal, do ano novo, dos aniversários, em que pude compartilhar da sua presença, e se alegrar ao lado, como se fossemos íntimas, como se fosses parentes ou como se nos conhecessemos a anos.
Dona Aparecida, vovó Aparecida... Inesquecível, de uma forma ou outra.
O carinho, a preocupação... A casa, a comida, as festas, os presentes, as conversas, os conselhos, o apoio, a admiração, o respeito, as tardes de segunda, quarta e sexta, e os domingos.
Os passeios, as flores, o cuidado, a proteção, a sabedoria.
Foi inesquecível para mim, assim como creio, que eu também tenha sido para ela.
Conheci, pessoas incriveis, inesquecíveis, um tanto quanto comuns, e para mim se tornaram de presença agradável, única, de uma admiração eterna, por essas pessoas normais, heróicas, guerreiras, sábias, ainda vivas, que pude conhecer, e que cujo, guardo com carinho, merecidamente.

Que Deus continue abençoando-a! E que ela continue forte, viva e feliz por muitos anos ainda. Vida longa, a essa mulher incrível!